Releituras do mesmo e a nossa liberdade individual


Raul… é um mito mesmo! Veja nessa música, como ele comenta que todo mundo, quer fazer leituras do mundo e faturar impondo essa verdade. Não permitindo a liberdade individual do auto conhecimento. Esta frase é um tapa com luva de pelica:

“Antes de ler o livro que o guro lhe deu, você tem que escrever o seu”

Décima Música de 1978 do disco Mata Virgem. Mal sabia ele o destino do seu parceiro de composição.

Em 1978, Raul Seixas retirou-se numa fazenda na Bahia, visando curar-se de uma pancreatite que o consumo intenso de álcool lhe causara – condição que lhe acompanharia por muitos anos e eventualmente provocaria sua morte.

Raul, também retomou rapidamente, a parceria com Paulo Coelho em algumas músicas, como “Judas” e “As Profecias”, tornando-se este, o último álbum com os dois compositores juntos. Eles chegaram a conclusão de que esta parceria já não teria mais como dar certo, pois tinham uma relação muito complicada.

O disco foge um pouco do rock and roll característico do cantor, contando com ritmos como baião, forró e música caipira. O álbum não foi bem sucedido na época, por causa da má divulgação e a crítica também não ajudou.

Nesta música, temos alguns temas muito legais:

– crítica ao método Aristotélico

– crítica a Sigmund Freud

– revisão do método científico

– exaltação do poder do agora

– da liberdade individual

Dá para pensar bastante não? Escute com cuidado, pode incomodar, o que seria fundamental, um deleite na nossa evolução.

Não me pergunte: por que?
Quem? Como? Onde? Qual? Quando? O Que?
Deus, Buda, O tudo, O nada, O ocaso,
Como o cosmonauta busca o nado, o nada
Seja lá o que for, já é

Não me obrigue a comer
O seu escreveu não leu
Papai mordeu a cabeça
Do Dr. Sugismundo
Porque sem querer cantou de galo que
Cada cabeça é um mundo Gismundo
Antes de ler o livro que o guru lhe deu
Você tem que escrever o seu

Chega um ponto que eu sinto que eu pressinto
Lá dentro, não do corpo, mas lá dentro-fora
No coração e no sol, no meu peito eu sinto
Na estrela, na testa, eu farejo em todo o universo
Que eu to vivo
Que eu to vivo
Que eu to vivo, vivo, vivo como uma rocha
E eu não pergunto
Porque já sei que a vida não é uma resposta
E se eu aconteço aqui se deve ao fato de eu
simplesmente ser
Se deve ao fato de eu simplesmente

Mas todo mundo explica
Explica Freud, o padre explica, Krishnamurti tá
vendendo
A explicação na livraria, que lhe faz a prestação
Que tem Platão que explica, que explica tudo tão bem vai lá que
Todo mundo explica
o protestante, o auto-falante, o zen-budismo,
Brahma, Skol
Capitalismo oculta um cofre de fá, fé, fi, finalismo
Hare Krishna, e dando a dica enquanto aquele
papagaio
Curupaca e implica
Com o carimbo positivo da ciência que aprova
e classifica

O que é que a ciência tem?
Tem lápis de calcular
Que é mais que a ciência tem?
Borracha pra depois apagar
Você já foi ao espelho, nego?
Não?
Então vá!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s